2 de Abril: Quando o Autismo Vira Assunto

INCLUSÃO

Por Ivan Batista |

No dia 2 de abril, o mundo se veste de azul.
Mas e nos outros dias… quem permanece?

O chamado Dia Mundial da Conscientização do Autismo chega todos os anos com força, com campanhas, com postagens emocionadas, com frases bonitas que falam de empatia, inclusão e respeito. É bonito de ver. É necessário, sim.

Mas também é insuficiente.

Porque o autismo não acontece uma vez por ano.
Ele não é uma pauta de calendário.
Ele é uma realidade diária, intensa, contínua — dentro de casas que não podem “desligar” essa vivência quando o mês acaba.

Existe um desconforto silencioso que muitos pais sentem nessa data.
Não pela data em si… mas pelo que vem depois dela.

No dia 3 de abril, o azul some.
As postagens diminuem.
As promessas se apagam.
E as famílias continuam — muitas vezes — sozinhas.

A inclusão que foi defendida em vídeos bem produzidos não aparece na prática da escola.
O discurso de acolhimento não se traduz no olhar das pessoas na rua.
O apoio prometido não chega na fila do SUS, nem nos planos de saúde.

E aí fica a pergunta que incomoda:
a conscientização é real… ou é só simbólica?

Falar sobre autismo exige mais do que um post bonito.
Exige constância.
Exige responsabilidade.
Exige disposição para ouvir, aprender e, principalmente, agir.

Como pai do Arthur, um autista nível 3 de suporte, eu posso dizer com toda verdade:
o autismo não é feito de um dia.
Ele é feito de madrugadas difíceis, de conquistas que parecem pequenas para o mundo, mas são gigantes pra gente.
É feito de luta, de adaptação, de amor — todos os dias.

E o que mais machuca não é a falta de um post.
É a falta de presença.

Não precisamos de mais um dia de visibilidade.
Precisamos de mais dias de compromisso.

Que o 2 de abril seja um ponto de partida — não um evento isolado.
Que ele incomode, provoque, desperte.
Mas que, acima de tudo, gere continuidade.

Porque o autismo não desaparece no dia seguinte.
E quem vive essa realidade… também não.