O Amor do Casal Também Precisa de Cuidado

FAMÍLIA 

Por Ivan Batista |

Tem um momento silencioso que quase ninguém fala…
quando o casal começa a desaparecer.

No começo, a gente nem percebe.
É tudo muito rápido, muito intenso.
Terapias, rotina, cansaço, preocupação… o autismo ocupa espaço — e com razão.

Mas, aos poucos, sem perceber, o casal vai ficando em segundo plano.
Depois, em terceiro.
E quando vê… sumiu.

E isso é perigoso.

Porque cuidar de um filho, especialmente um filho que exige tanto de nós, não é uma corrida de 100 metros.
É uma maratona.
E ninguém aguenta uma maratona sem energia.

O casal é essa energia.

É ali que a gente recarrega.
É no olhar cúmplice.
Na risada boba.
Na conversa que não tem nada a ver com terapia, laudo ou rotina.

É no simples.

Às vezes, é só uma horinha.
Um espetinho na esquina.
Um lanche rápido.
Um passeio sem pressa.

Mas com algo que faz toda a diferença:
vocês dois… sozinhos.

Sem interrupção.
Sem função.
Sem papel de pai e mãe o tempo todo.

Porque antes de tudo isso… vocês eram um casal.
E precisam continuar sendo.

O autismo não pode engolir essa parte da vida.
Não pode apagar o namoro, o carinho, a conexão.

Não porque isso é “romântico”…
mas porque isso é necessário.

Um casal fortalecido cuida melhor.
Ama melhor.
Resiste mais.

Quando o casal está bem, a casa fica mais leve.
As decisões ficam mais firmes.
O cansaço pesa menos.

E o filho sente isso.

Não existe culpa em sair por uma hora.
Não existe egoísmo em dar uma pausa.
Existe sabedoria.

Porque ninguém consegue dar o melhor de si estando esgotado o tempo todo.

Cuidar do filho é essencial.
Mas cuidar do casal… é estratégico.

É isso que sustenta tudo.

Então, se faz tempo que vocês não param…
parem.

Nem que seja simples.
Nem que seja rápido.
Mas que seja verdadeiro.

Olho no olho.
Presença.
Conexão.

Porque no meio de tanta entrega, existe algo que não pode se perder:
o “nós”.

E é esse “nós” que dá força pra continuar sendo tudo aquilo que o seu filho precisa… todos os dias.